São sete meses que te conheço. O tempo passou rápido demais, e parace que temos duas gerações de mãos dadas pelas ruas. Na verdade, percebi que o tempo se arrasta, quando escutei sua voz pelo telefone hoje. Você me contando da meia que aquecia teus pés e da sopa que iria tomar, como se eu te ligasse há mais de dez anos, toda semana, pra saber do seus dias. Sinto que seu tom é de muito tempo, quando ainda não te conhecia e acordava incomodado com os sonhos que nunca conseguia lembrar... talvez fosse você, soprando hálito quente no meu pescoço desde então. Talvez fosse você. Não sei. Não sei mesmo como se deu. Sei só que veio de Marte, do fogo de Marte, e aceitou que eu vivesse com a cabeça na Lua, perdendo objetos fúteis pela vida. Aceitou minha condição de estranheza e manias sem sentido que complicam o viver.
Te olho pelo reflexo do espelho do shopping e percebo que você sou eu brincando com o canudo de Coca-Cola do Mc Donald's, com uma vontade enorme de ter uma filha. Você é o que eu nunca serei. É tudo o que eu não sei, meu inverso, meu verso que não rima com meu nome, mas completa meu olhar. Você é tinta pra tudo que tenho à escrever. Ah, é que você é canto dos Los Hermanos, que en(canta), "até quem me vê, lendo jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei".
Te olho pelo reflexo do espelho do shopping e percebo que você sou eu brincando com o canudo de Coca-Cola do Mc Donald's, com uma vontade enorme de ter uma filha. Você é o que eu nunca serei. É tudo o que eu não sei, meu inverso, meu verso que não rima com meu nome, mas completa meu olhar. Você é tinta pra tudo que tenho à escrever. Ah, é que você é canto dos Los Hermanos, que en(canta), "até quem me vê, lendo jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei".
Somos, por fim, e sem fim, um par. Aqueles que desafiam Deus pela ousadia de propor a morte. Aqueles que implorarão à Deus para as duas almas ficarem juntas, em qualquer pedacinho do ceú, ou mesmo no inferno — se for melhor, e se o Diabo permitir. Somos apenas dois, em busca de uma estante legal para os muitos livros que nem terminaremos de ler. Dois, aptos a percorrer BR's sinuosas que nos deixem a sós com o barulho do silêncio-vento, e bagunce nossos cabelos, nos dizendo que somos livres, livres pra nós mesmos.