terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sós/Nós/Dois

São sete meses que te conheço. O tempo passou rápido demais, e parace que temos duas gerações de mãos dadas pelas ruas. Na verdade, percebi que o tempo se arrasta, quando escutei sua voz pelo telefone hoje. Você me contando da meia que aquecia teus pés e da sopa que iria tomar, como se eu te ligasse há mais de dez anos, toda semana, pra saber do seus dias. Sinto que seu tom é de muito tempo, quando ainda não te conhecia e acordava incomodado com os sonhos que nunca conseguia lembrar... talvez fosse você, soprando hálito quente no meu pescoço desde então. Talvez fosse você. Não sei. Não sei mesmo como se deu. Sei só que veio de Marte, do fogo de Marte, e aceitou que eu vivesse com a cabeça na Lua, perdendo objetos fúteis pela vida. Aceitou minha condição de estranheza e manias sem sentido que complicam o viver. 
Te olho pelo reflexo do espelho do shopping e percebo que você sou eu brincando com o canudo de Coca-Cola do Mc Donald's, com uma vontade enorme de ter uma filha. Você é o que eu nunca serei. É tudo o que eu não sei, meu inverso, meu verso que não rima com meu nome, mas completa meu olhar. Você é tinta pra tudo que tenho à escrever. Ah, é que você é canto dos Los Hermanos, que en(canta), "até quem me vê, lendo jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei".
Somos, por fim, e sem fim, um par. Aqueles que desafiam Deus pela ousadia de propor a morte. Aqueles que implorarão à Deus para as duas almas ficarem juntas, em qualquer pedacinho do ceú, ou mesmo no inferno se for melhor, e se o Diabo permitir. Somos apenas dois, em busca de uma estante legal para os muitos livros que nem terminaremos de ler.  Dois, aptos a percorrer BR's sinuosas que nos deixem a sós com o barulho do silêncio-vento, e bagunce nossos cabelos, nos dizendo que somos livres, livres pra nós mesmos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sexta, Sábado e Domingo I

Uma lasanha pequena, uma sobremesa da Sadia e a Montila Ouro que não achamos vieram na sacola. Nossos passos apresados de um quase fim de noite nos levaram ao seu ônibus sujo e demorado. A casa estava vazia, a cama arrumada, e eu louco pra virar uma Coca-Cola na garganta desde o momento em que estacionamos na esquina boêmia da Guarani, morrendo de calor. Cheguei na ponta dos pés, pra não acordar o bairro. Passei pela porta e deixei as compras na cama. Você me arrumou uma toalha branca e fui deixar a água me bater no chuveiro, pra pensar em nossa madrugada ali mesmo, no seu banheiro de luz amarela. Não consegui memorizar/preparar um plano sequer pra gente, mas já sabia que íamos ser apenas dois. Na verdade, o silêncio da sua rua já tinha me dito que éramos dois, apenas nós dois, mais do que nunca, dois.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Clichê

Às vezes (muitas vezes) é assim. Poesias alheias, frases prontas, provérbios batidos e metáforas do século passado. Mas, quando falo do que sinto, até refrões pegajosos de rádio parecem feitos só pra você.

domingo, 22 de novembro de 2009

Muito

Não tenho pontos finais, nem censura em frases grandes demais. Conto e falo em reticências mil, em verbos, advérbios e adjetivos excessivos. Exagero existe para ser sentido, usado, abusado e lambusado. É pra virar tudo, beber de golada, descer queimando pela garganta, transbordar pela boca a sede toda. É pra sentir mais sede e não parar jamais. É pra você me pedir sempre mais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Saudades

Senti, e como senti. Precisei apertar forte teu rosto de volta, no ponto imundo do teu ônibus. Ouvir você dizendo que já está indo, pra lhe sufocar de abraço e não querer findar os beijos de despedida que te levam em casa toda noite. Como se sente agora? Ah, por favor não diga. Qualquer resposta que me traga é pouca diante como me sinto com você.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Noite

Agora vai arranhar os lençois, torcer as mãos, rolar na cama e soltar baforadas de insatisfação por não conseguir pegar no sono. E quando parar a visão num ponto fixo do quarto, será pra lembrar num suspiro. Bate vontade de pegar o telefone pra ouvir o silêncio do outro lado da linha. Ímpeto de largar a cama quente/fria em que está só, agarrar as chaves do carro e correr pela estrada, com os faróis altos e ronco grave do motor pra avisar que está vindo. É beijo, abraço, aperto, riso contido e respiração acelerada que quer se encontrar com a outra metade. É calor, frio, vento e mormaço que brinca com as sensações e evita o cerrar dos olhos, já em alta madrugada. É você Sou eu, querendo.


p.s.: Desculpe por tentar falar por você.

Buraco

Muita falta sobra. É que falta você e sobra falta. Muita.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Flash

Parei pra pensar que logo se anuncia outro dia aí. Ah, vai madrugada ingrata/inglória, que serve pra mais nada a não ser me ocupar em pensar/torcer para a noite passar. Passa ligeira, passa, passa. Tchau noite só, aparece dia cheio. Vem, vem dia, porque preciso Vê-la.

Daqui

Consta então que estou perdido em sua noite. Igonorando as notícias importantes de agora. Apenas com uma janelinha de texto aberta, piscando continuamente ao seu chamado. Me faz companhia apenas o silêncio da luz  branca do meu ambiente. Lembro dos teus pés gostosos ao sentir o frio do meu chão; penso, invevitavelmente, em suas mãos quando as minhas param de escrever e ficam inquietas, ainda assim, querendo-te. Sei que vou demorar a dormir, ainda tenho textos chatos a redigir, mas não consegui fechar os olhos, apesar deles arderem desesperadamente. Estou pensando em você. Achando tuas mordidas firmes no meu corpo, ardendo nas marcas dos teus dentes. Sentido saudade besta, dessas que vem em noite qualquer, sem pedir licença, e  se quer explicar o motivo. Estou pensando em você. Pensando, simplesmente e unicamente, se ao receber meu beijo de boa noite, em alta madrugada, você vai mover os lábios pra retribuir. 

p.s.: Me perdoe pelos clichês daqui, e me perdoe por pedir perdão também, pois sei que não gosta.

Volta

Velho, por que tem feito assim? Esqueceu teu sapato no banheiro pra eu me lembrar que você já não volta. Não basta o teu cheiro forte ter ficado brincando com minha lembrança pelos ares da tarde toda de hoje? Senti vontade de conversar com seu jeito bronco, mesmo sabendo que você não é a pessoa mais indicada para tato com a fala e palavras gentis. Queria ao menos a pizza de sempre, com as perguntas de sempre, os papos de sempre, e os convites de fim de ano de sempre. É saudade do seu aperto desconfortável no ombro bem do jeito que eu detestava, só pra me sentir com você novamente. Sinto sua falta, velho. Muita.
 

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