Parei pra pensar que logo se anuncia outro dia aí. Ah, vai madrugada ingrata/inglória, que serve pra mais nada a não ser me ocupar em pensar/torcer para a noite passar. Passa ligeira, passa, passa. Tchau noite só, aparece dia cheio. Vem, vem dia, porque preciso Vê-la.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Daqui
Consta então que estou perdido em sua noite. Igonorando as notícias importantes de agora. Apenas com uma janelinha de texto aberta, piscando continuamente ao seu chamado. Me faz companhia apenas o silêncio da luz branca do meu ambiente. Lembro dos teus pés gostosos ao sentir o frio do meu chão; penso, invevitavelmente, em suas mãos quando as minhas param de escrever e ficam inquietas, ainda assim, querendo-te. Sei que vou demorar a dormir, ainda tenho textos chatos a redigir, mas não consegui fechar os olhos, apesar deles arderem desesperadamente. Estou pensando em você. Achando tuas mordidas firmes no meu corpo, ardendo nas marcas dos teus dentes. Sentido saudade besta, dessas que vem em noite qualquer, sem pedir licença, e se quer explicar o motivo. Estou pensando em você. Pensando, simplesmente e unicamente, se ao receber meu beijo de boa noite, em alta madrugada, você vai mover os lábios pra retribuir.
p.s.: Me perdoe pelos clichês daqui, e me perdoe por pedir perdão também, pois sei que não gosta.
Volta
Velho, por que tem feito assim? Esqueceu teu sapato no banheiro pra eu me lembrar que você já não volta. Não basta o teu cheiro forte ter ficado brincando com minha lembrança pelos ares da tarde toda de hoje? Senti vontade de conversar com seu jeito bronco, mesmo sabendo que você não é a pessoa mais indicada para tato com a fala e palavras gentis. Queria ao menos a pizza de sempre, com as perguntas de sempre, os papos de sempre, e os convites de fim de ano de sempre. É saudade do seu aperto desconfortável no ombro bem do jeito que eu detestava, só pra me sentir com você novamente. Sinto sua falta, velho. Muita.
Meu Velho,
Hoje eu percorri corredores estreitos e iguais, cheios de pessoas estranhas, que certamente deviam trocar bons dias com você. Andei num labirinto de saudade, imaginando que você pudesse sair de algum gabinte ou surgir da sala do café, com um abraço de surpresa. Peguei o elevador pensando se aquela assessorista seria sua conhecida, e em qual andar você desceria. Uma faxineira me falou de Deus, botou um copo d’água na minha mão, e, até aquele gosto neutro se apropriou de um cheiro natural seu que eu não conseguia deixar de sentir. As portas, poltronas, mesas, roupas, a tv ligada e o cheiro ambiente gelado, tudo, absolutamente tudo me trouxe você, arranhando coração. Chorei num banheiro limpo e bonito, recordando o Mineirão que conheci com você. Lembrei que há quase três anos meu telefone não toca com sua chamada. Pois bem, parei de escrever agora com medo dos soluços e olhos vermelhos voltarem.
Momento
Senti suas maõzinhas de princesa no meu cabelo, desconstruindo minha falta de penteado. Te abracei, respirei o cheiro do seu creme “novo” e lembrei de você policiando meu prato no almoço. Gostei quando seu rosto correspondeu ao roçar da minha barba, e suas mãos apertaram mais as minhas. Lembrei da nossa viagem agendada, e me enchi de ti quando apertou os olhos pra me olhar por entre o cabelo escorrido. Me enchi mais (ainda) de ti quando seu riso saiu, e senti o teu sentir.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Querer
Tem 20 minutos que estou iniciando histórias, floreando poesia, avoando pensamento sem destino por aí, e com vontade mesmo é de te tomar do lugar que está agora. Minha saliva quer/precisa desesperadamente se afogar em beijo teu. Sei que o ar condicionado é desconfortável, eu não trouxe moleton algum como pede sempre, e precisava mesmo é de um café quente que nunca tomo. Mas, ainda sim, prefiro estar no meu lugar de agora, lhe espiando regularmente, pedindo a um vento que não existe aqui para trazer teu cheiro vez ou outra, sem nenhum conforto de inverno, mas com sua imagem logo ali. Me irrompe um desejo de lhe reafirmar, esfregar todos os teus dedos, apertar teu rosto, sacudir teu corpo inteiro, bagunçar seu cabelo aleatoriamente sem vetor de direção, e chamar tua atenção a mim. Olha, quero mesmo é abraçar-te até você dizer que estou lhe sufocando. Quero abraçar-te pra sempre, viver em abraço, ser abraço Seu.
p.s.: Veja bem que termino a linha acima falando em sempre. Lhe digo de uma vontade de agora, que é a de toda/aleatória/qualquer hora.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Seis
Podemos fazer uma estimativa de mais ou menos duas décadas por como nossos corpos respodem um ao outro; ou, pautarmo-nos pelo relógio e contar um dia. É tempo demais para as folhas do calendário, é pouco tempo demais para nossas mãos. O longe são todos os meses da sua viagem para fora do país. Ah, e como o tempo passa ligeiro no perto. Eu reparo no enfeite que tem a gente velhinho num balanço bonito, e ainda sinto o cheiro do seu último bilhete do dia. Às vezes parece que te conheci ontem, e estou indo lhe encontrar com medo do que vai achar da minha camisa. Às vezes parece que a gente tá indo embora junto pra casa.
Nem falo em seis meses
Porque eu sei que é demais
(Pouco) demais
Amanhã, espero
Mais.
Nem falo em seis meses
Porque eu sei que é demais
(Pouco) demais
Amanhã, espero
Mais.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Perto
Há cerca de 58km de distância entre o meu sono e o seu. São milhares e milhares e mais alguns milhares de rotações de penus até atingir o teu destino. É uma extensão cansativa de céu entre a minha noite e a sua. Me parece que sua voz vem de Belém do Pará, e que um avião seria pouco para a rapidez com a qual queria lhe ver. Às vezes dou uns berros loucos pela janela, esperando que seu eco retorne de algum lugar. O pior é que estou limitado a uns míseros caracteres pra lhe sondar saudade durante o dia. Carta nenhuma chega até aí, e minhas mensagens e ligações espontâneas de vontade são filtradas pela má vontade de um insensível sinal de celular. Felizmente, tem um satélite redondo e bonito no céu que brilha aqui e aí na mesma posição, hora e lugar, em sincronia com nosso querer. Olha pra cima.
Longe
O dia amanheceu cheio de buraquinhos. E, a cada esquina que eu quebrava, encontrava mais uma falta sua. Minhas mãos estaralam demais, inquietas sem seu aperto. E meus pensamentos correram pela estrada empoeirada de Brumadinho, pra saber notícias suas. A cada momento em que eu me concentrava na distração, lembrava do seu riso, solto e perdido num meio de mato qualquer. Esse tempo maldito e ingrato, que mal sabe o que é você em mim, tratou de arrastar os ponteiros de todos os relógios do mundo, fazendo um dia virar dois. Me perguntaram de você, uma ou duas vezes, aleatoriamente. E, nessas horas, o sino da catedral da saudade batia pesado e alto, pra me dizer que estava na hora de decolar em direção ao longe em que você estava. Era hora de largar o mundo todo na sala de estar, e sair desenfreadamente pela porta da frente pra lhe encontrar. Só não me pergunte quantas vezes eu passei por essa porta.
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